Quanto custa manter uma app depois de lançada
Lançar a app é o começo, não o fim da despesa. Este artigo explica que custos continuam depois da publicação, quais são obrigatórios, o que acontece a uma app sem manutenção e como comparar o que cada proposta inclui.
Neste artigo
- Porque é que uma app precisa de manutenção
- Os custos que continuam depois do lançamento
- 1. Contas de programador nas lojas
- 2. Servidor e base de dados
- 3. Serviços externos
- 4. Atualizações para novas versões do iOS e do Android
- 5. Segurança e cópias de segurança
- 6. Suporte e correção de erros
- 7. Melhorias e funcionalidades novas
- Resumo dos custos
- O que acontece a uma app sem manutenção
- Como fazer as contas antes de decidir
- Como reduzir o custo de manutenção desde o início
- Em resumo
Quem pede orçamento para uma app costuma pensar no valor do desenvolvimento. Mas uma app publicada tem custos que continuam todos os meses, e alguns não são opcionais: se ninguém tratar deles, a app deixa de funcionar ou sai da loja.
A resposta curta: manter uma app custa as taxas das lojas (fixas e públicas), o servidor e os serviços externos de que depende (variam com o uso) e o trabalho técnico de atualização, segurança e suporte (varia com a complexidade). Não há um valor único, mas há uma forma certa de fazer as contas: pedir cada parcela em separado e somar dois ou três anos, não só o primeiro mês.
Porque é que uma app precisa de manutenção
Uma app não é um ficheiro que se entrega e fica pronto. Depende de coisas que mudam sem pedir licença:
- O sistema do telemóvel. Todos os anos saem versões novas do iOS e do Android, e cada uma pode alterar permissões, comportamentos ou aspeto.
- As regras das lojas. A Apple e a Google atualizam os requisitos técnicos para aceitar apps e atualizações.
- Os serviços externos. Pagamentos, mapas, envio de emails ou de notificações mudam as suas próprias regras e versões.
- A segurança. As bibliotecas usadas no código recebem correções; quem não as aplica fica exposto.
Uma app sem manutenção não fica igual: fica cada vez mais desatualizada em relação a tudo o que a rodeia.
Os custos que continuam depois do lançamento
1. Contas de programador nas lojas
São os únicos custos com valor fixo e público:
- App Store: a inscrição no Apple Developer Program custa 99 dólares por ano e tem de ser renovada para a app continuar na loja.
- Google Play: a taxa de registo de programador é de 25 dólares, paga uma única vez.
Os valores atuais estão nas páginas oficiais da Apple e da Google, listadas nas fontes no fim do artigo. Confirme também em nome de quem ficam estas contas: devem ser da sua empresa.
2. Servidor e base de dados
Quase todas as apps de empresa guardam dados num servidor: utilizadores, pedidos, marcações, o painel de gestão. Este alojamento paga-se todos os meses e cresce com o número de utilizadores, o volume de dados e as cópias de segurança. Uma app usada por uma equipa de dez pessoas e uma app aberta a milhares de clientes têm custos de servidor muito diferentes.
3. Serviços externos
Dependem do que a app faz. Os mais comuns:
- envio de notificações, emails ou SMS;
- pagamentos dentro da app (normalmente uma comissão por transação);
- mapas e localização;
- integrações com faturação, CRM ou calendários.
Muitos têm um escalão gratuito e passam a cobrar a partir de um certo volume. Peça a lista destes serviços na proposta, com quem paga cada um.
4. Atualizações para novas versões do iOS e do Android
É a parcela que mais se esquece e a que mais pesa a prazo. As lojas obrigam a acompanhar as ferramentas recentes:
- Apple: desde 28 de abril de 2026, as apps enviadas para a App Store têm de ser compiladas com o Xcode 26 ou posterior.
- Google Play: desde 31 de agosto de 2026, apps novas e atualizações têm de ter como alvo o Android 16 (nível de API 36). Apps já publicadas com um alvo antigo deixam de aparecer a utilizadores novos com versões mais recentes do Android.
Na prática, isto significa que não é possível corrigir um erro nem acrescentar nada a uma app parada há anos sem primeiro a pôr em dia com as ferramentas atuais. Quanto mais tempo passa, maior é esse trabalho.
5. Segurança e cópias de segurança
Aplicar correções de segurança às bibliotecas, renovar certificados, vigiar acessos e garantir que há cópias de segurança que se conseguem repor. Se a app trata dados pessoais, o RGPD (artigo 32.º) exige medidas de segurança adequadas ao risco. Isto não termina no lançamento.
6. Suporte e correção de erros
Utilizadores encontram situações que ninguém testou, num modelo de telemóvel específico ou num percurso pouco comum. Alguém tem de receber esses relatos, reproduzir o problema e publicar a correção.
7. Melhorias e funcionalidades novas
Não é manutenção no sentido estrito, mas é quase sempre onde vai parar parte do orçamento: depois do lançamento percebe-se o que os utilizadores usam e o que falta. Convém separá-lo da manutenção na proposta, para saber o que é obrigatório e o que é escolha.
Resumo dos custos
| Custo | Tipo | De que depende |
|---|---|---|
| Conta Apple Developer | Anual, valor público | Fixo |
| Conta Google Play | Única, valor público | Fixo |
| Servidor e base de dados | Mensal | Utilizadores, dados, cópias de segurança |
| Serviços externos | Mensal ou por utilização | Notificações, pagamentos, mapas, integrações |
| Atualizações iOS e Android | Recorrente | Complexidade da app, nº de sistemas |
| Segurança e cópias | Recorrente | Dados tratados, nível de risco |
| Suporte e correções | Recorrente | Número de utilizadores, criticidade |
| Funcionalidades novas | Por pedido | O que o negócio decidir |
O que acontece a uma app sem manutenção
Não acontece tudo de uma vez, mas acontece:
- Aparecem erros em versões novas do sistema ou em telemóveis novos.
- Deixa de ser possível publicar atualizações sem antes atualizar o projeto para as ferramentas exigidas pelas lojas.
- Perde visibilidade: no Google Play, apps com um alvo de API antigo deixam de estar disponíveis para utilizadores novos com versões recentes do Android.
- Pode sair da loja: a Apple avisa os programadores de apps que não são atualizadas há três anos e que quase não têm transferências, e retira-as se não receber uma atualização aprovada em 90 dias. Apps que fecham ao abrir são retiradas de imediato.
Recuperar uma app abandonada costuma custar mais do que tê-la mantido, porque é preciso atualizar vários anos de mudanças de uma só vez.
Como fazer as contas antes de decidir
Encontra na internet regras do tipo «a manutenção anual custa uma percentagem fixa do desenvolvimento». São estimativas de quem vende desenvolvimento, sem fonte verificável, e servem pouco para o seu caso. É mais útil:
- Pedir a manutenção discriminada na proposta: o que inclui, o que fica de fora e quanto custa por mês ou por ano.
- Separar custos de terceiros (lojas, servidor, serviços externos) do trabalho técnico (atualizações, segurança, suporte).
- Somar dois ou três anos de desenvolvimento mais manutenção, e comparar propostas por esse total.
- Perguntar como são tratadas as versões novas do iOS e do Android: estão incluídas ou são cobradas à parte?
- Confirmar a propriedade do código e das contas, para poder mudar de fornecedor se for preciso.
Explicamos como comparar propostas em como pedir um orçamento para uma app ou um software.
Como reduzir o custo de manutenção desde o início
Parte do custo de manutenção decide-se antes de escrever a primeira linha de código:
- Escolher o tipo de app certo. Uma app web não paga lojas e atualiza-se sem passar por elas; uma app multiplataforma mantém uma só base de código para iPhone e Android. Comparamos as opções em app web ou app nativa.
- Começar pelo essencial. Cada funcionalidade a mais é mais uma coisa para manter.
- Preferir serviços externos estáveis e bem documentados, e não depender de muitos ao mesmo tempo.
- Testes automáticos, que tornam mais rápido e seguro validar cada atualização.
Em resumo
- Os custos fixos e públicos são só os das lojas: a Apple cobra todos os anos, a Google uma vez.
- Servidor e serviços externos variam com o uso; peça a lista e quem paga cada um.
- As atualizações para novas versões do iOS e do Android são obrigatórias para continuar a publicar.
- Sem manutenção, a app acumula erros, perde utilizadores novos e pode sair da App Store.
- Compare propostas pelo total de dois ou três anos, com a manutenção discriminada.
Para perceber como se forma o preço do desenvolvimento, leia quanto custa uma app, e veja o que inclui o desenvolvimento de apps na Quadrix.
Perguntas frequentes
A manutenção de uma app é obrigatória?
Não há nenhuma lei que obrigue a contratá-la, mas as lojas obrigam a atualizar: a Apple e a Google exigem que as apps sejam compiladas com versões recentes das suas ferramentas, e a Apple retira da loja apps desatualizadas e com muito poucas transferências. Sem manutenção, a app acaba por deixar de funcionar ou de estar disponível.
Quanto custa por ano manter uma app?
Depende do que a app tem de fazer, de quantas pessoas a usam e dos serviços externos de que depende. Os únicos valores fixos são as taxas das lojas, publicadas pela Apple e pela Google. O resto deve vir discriminado na proposta de quem desenvolve a app.
Posso manter a app sem a empresa que a desenvolveu?
Pode, desde que o código, as contas das lojas e os acessos aos servidores estejam em nome da sua empresa. Por isso é importante confirmá-lo por escrito antes de começar o projeto.
Bernardo Silva
Fundador da Quadrix. Desenvolve websites, software à medida e apps para empresas desde 2020.
Fontes
- Apple Developer Program — preço da inscrição anual
- Google Play Console — taxa de registo única
- Apple — Upcoming requirements (versão mínima do Xcode e do SDK)
- Android Developers — requisito de nível de API alvo no Google Play
- Apple — App Store Improvements (remoção de apps desatualizadas)
- Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, artigo 32.º (segurança do tratamento)
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