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Quadrix
Software à medida

Erros a Evitar ao Contratar uma Empresa de Desenvolvimento de Software

Escolher quem vai desenvolver uma app ou um software à medida é uma decisão que se paga durante anos. Este artigo junta os erros que mais custam a quem contrata, as perguntas a fazer antes de assinar e os sinais de alerta a que deve estar atento.

Por Bernardo SilvaPublicado a 7 min de leitura

Mandar fazer uma app ou um software à medida não é como comprar um programa: é escolher alguém com quem vai trabalhar durante meses e de quem, muitas vezes, vai depender durante anos. Os erros mais caros raramente estão no código. Estão na escolha do fornecedor e no que ficou, ou não ficou, combinado.

A resposta curta: ao contratar uma empresa de desenvolvimento de software, os erros que mais custam são escolher só pelo preço, não ver trabalho semelhante, não saber quem vai fazer o trabalho, deixar o código e as contas em nome do fornecedor e esquecer o que acontece depois do lançamento. Antes de assinar, peça respostas por escrito a estas perguntas e desconfie de quem orçamenta sem perguntar nada sobre o seu negócio.

1. Escolher só Pelo Preço

É o erro mais comum e o mais fácil de perceber depois. Dois orçamentos para o mesmo projeto podem ser muito diferentes porque cada fornecedor imaginou um sistema diferente, ou porque um inclui testes, publicação e manutenção e o outro não.

O que fazer: compare o que está dentro de cada proposta, linha a linha, e some o custo de dois ou três anos, não só o valor inicial. O artigo sobre como pedir um orçamento e o que deve vir na proposta tem a lista do que verificar.

2. Não ver Trabalho Semelhante nem Falar com Quem já foi Cliente

Um site bonito e uma boa reunião não dizem se o fornecedor já fez algo parecido com o que precisa. Uma app para clientes, um sistema interno de gestão e um portal com área reservada exigem competências diferentes.

O que fazer:

  • peça para ver trabalho semelhante ao seu, a funcionar, e não só imagens;
  • pergunte o que correu mal num projeto anterior e como foi resolvido: a resposta diz muito;
  • se possível, fale com um cliente do fornecedor e pergunte como foi o suporte depois do lançamento.

3. Não Saber Quem vai Fazer o Trabalho

Muitas vezes quem vende o projeto não é quem o faz. O trabalho pode ser subcontratado, a equipa pode mudar a meio e, no fim, ninguém conhece o sistema por dentro quando aparece um problema.

O que fazer: pergunte quem vai desenvolver, quem vai testar e quem vai dar suporte depois. Pergunte também se alguma parte é subcontratada e a quem.

4. Deixar o Código, o Domínio e as Contas em Nome do Fornecedor

É o erro que se descobre tarde, normalmente no dia em que quer mudar de fornecedor. Se o domínio, o alojamento ou as contas da App Store e do Google Play estiverem em nome de quem fez o projeto, mudar pode ser lento, caro ou impossível sem a colaboração dele.

Quanto ao código, a lei portuguesa ajuda, mas não dispensa o contrato. O Decreto-Lei n.º 252/94, que protege os programas de computador, atribui os direitos sobre um programa feito por encomenda a quem o encomenda, salvo estipulação em contrário ou se outra coisa resultar da finalidade do contrato (artigo 3.º). Ou seja: o que o contrato disser é o que vale.

O que fazer:

  • confirme por escrito que o código, o domínio e as contas das lojas ficam em nome da sua empresa;
  • garanta que recebe acesso ao código (ao repositório onde está guardado), e não só à app instalada;
  • pergunte se o projeto usa componentes de terceiros com licença própria e o que isso implica.

Este resumo não substitui aconselhamento jurídico, sobretudo se o contrato tiver cláusulas de licença ou de exclusividade.

5. Aceitar um Orçamento sem Perguntas

Um fornecedor que envia um preço sem perguntar quem vai usar o sistema, que regras tem o processo ou com que programas tem de falar está a adivinhar. E as adivinhas pagam-se mais tarde, em alterações e atrasos.

O que fazer: valorize quem faz perguntas incómodas, quem sugere tirar funcionalidades da primeira versão e quem explica a solução em linguagem simples. Se não percebe o que lhe estão a propor, o problema raramente é seu.

6. Assinar sem Âmbito Escrito e sem Regra Para Alterações

«Uma app de marcações» pode querer dizer coisas muito diferentes. Sem uma lista escrita do que está incluído e do que não está, cada pedido a meio do projeto vira uma discussão sobre se já estava no preço.

O que fazer: exija um âmbito detalhado e uma regra clara para alterações: como se pedem, como se orçamentam e como mexem no prazo. Se a ideia ainda está a ganhar forma, comece por uma primeira versão pequena; o artigo sobre o que é um MVP ajuda a decidir o que entra.

7. Não Combinar Como vai Acompanhar o Projeto

Projetos em que o cliente só vê o resultado no fim são os que mais surpreendem, pela negativa. Quanto mais tarde se descobre que algo não era o pretendido, mais caro é mudar.

O que fazer: combine fases com entregas que pode experimentar, um protótipo antes de começar a programar, sempre que fizer sentido, e uma forma regular de saber em que ponto está o trabalho. O artigo sobre quanto tempo demora desenvolver software explica as fases e o que costuma atrasar.

8. Esquecer a Proteção de Dados

Se o software vai guardar dados de clientes, de trabalhadores ou de outras pessoas, e o fornecedor vai alojá-los ou ter acesso a eles, a sua empresa tem de ter com ele um contrato que cumpra o artigo 28.º do RGPD. Esse contrato diz, entre outras coisas, que o fornecedor só trata os dados segundo as suas instruções, que garante a segurança e que, no fim, os apaga ou os devolve.

O que fazer: pergunte onde ficam alojados os dados, quem lhes tem acesso e se o fornecedor tem um acordo de tratamento de dados para assinar.

9. Não Perguntar o que Acontece Depois do Lançamento

Uma app ou um software não fica pronto para sempre no dia em que é lançado. Há atualizações de segurança, novas versões do iOS e do Android, alojamento, erros que só aparecem com uso real e pequenos ajustes. Se nada disto estiver combinado, ou fica sem ninguém ou paga ao preço que lhe pedirem no momento.

O que fazer: peça na proposta a garantia (durante quanto tempo os erros são corrigidos sem custo) e as condições de manutenção e suporte. O artigo sobre quanto custa manter uma app explica o que costuma entrar nesta parte.

Freelancer ou Empresa de Software

Não há uma resposta certa para todos os casos. O que muda é quem responde quando alguma coisa corre mal.

Programador freelancerEmpresa de desenvolvimento
Projetos em que costuma servirTrabalhos pequenos e bem delimitadosSistemas de que a empresa vai depender durante anos
Se a pessoa ficar indisponívelO projeto pode pararOutra pessoa da equipa conhece o sistema
Testes, publicação e manutençãoDepende do que for combinadoCostumam fazer parte do serviço; confirme na proposta
O que verificar semprePropriedade do código, contas e contratoPropriedade do código, contas, contrato e quem faz o trabalho

Se ainda não tem a certeza de que precisa de algo feito à medida, comece pelo guia software à medida ou software pronto.

Perguntas a Fazer Antes de Assinar

PerguntaSinal de alerta na resposta
Quem vai desenvolver, testar e dar suporte?«Logo se vê» ou uma equipa que ninguém conhece
Que trabalho semelhante já fez? Posso vê-lo a funcionar?Só imagens ou nenhum exemplo parecido
Em nome de quem ficam o código, o domínio e as contas das lojas?Em nome do fornecedor, ou sem resposta por escrito
Recebo acesso ao código?Só à app instalada
O que está incluído e o que não está?Uma linha com o preço total, sem lista
Como se pedem e pagam alterações a meio?Sem regra definida
Como acompanho o trabalho?Só vê o resultado no fim
Onde ficam os dados e quem lhes tem acesso?Não sabe, ou não há contrato de tratamento de dados
O que acontece depois do lançamento?Nada combinado sobre garantia, manutenção e suporte

Em Resumo

  • Compare o que está dentro de cada proposta e o custo de vários anos, não só o preço inicial.
  • Veja trabalho semelhante a funcionar e saiba quem vai fazer, testar e dar suporte.
  • Garanta por escrito que o código, o domínio e as contas ficam em nome da sua empresa e que recebe acesso ao código.
  • Exija âmbito escrito, regra para alterações, entregas por fases e um contrato de dados quando houver dados pessoais.
  • Combine antes de assinar o que acontece depois do lançamento.

Para saber como trabalhamos e o que fica incluído, veja as páginas de software à medida e de desenvolvimento de apps, e os compromissos que assumimos em todos os projetos.

Perguntas frequentes

Quem fica com o código de um software feito por encomenda?

Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 252/94 atribui os direitos sobre um programa feito por encomenda ao destinatário, ou seja, a quem encomenda, salvo se o contrato disser outra coisa ou se outra coisa resultar da sua finalidade. Por isso o que conta é o contrato: confirme que diz por escrito que o código é seu e que recebe acesso a ele.

É melhor contratar um programador freelancer ou uma empresa?

Depende do projeto. Um freelancer pode chegar para um trabalho pequeno e bem delimitado. Para um sistema de que a empresa vai depender durante anos, pese quem dá suporte se essa pessoa estiver indisponível, quem testa e quem mantém o sistema depois do lançamento.

Que perguntas devo fazer antes de contratar?

Quem vai fazer o trabalho, que trabalho semelhante já fez, como vai acompanhar o projeto, em nome de quem ficam o código, o domínio e as contas, o que acontece se o âmbito mudar e o que está incluído depois do lançamento.

Bernardo Silva

Fundador da Quadrix. Desenvolve websites, software à medida e apps para empresas desde 2020.

Fontes

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