Erros a Evitar ao Contratar uma Empresa de Desenvolvimento de Software
Escolher quem vai desenvolver uma app ou um software à medida é uma decisão que se paga durante anos. Este artigo junta os erros que mais custam a quem contrata, as perguntas a fazer antes de assinar e os sinais de alerta a que deve estar atento.
Neste artigo
- 1. Escolher só Pelo Preço
- 2. Não ver Trabalho Semelhante nem Falar com Quem já foi Cliente
- 3. Não Saber Quem vai Fazer o Trabalho
- 4. Deixar o Código, o Domínio e as Contas em Nome do Fornecedor
- 5. Aceitar um Orçamento sem Perguntas
- 6. Assinar sem Âmbito Escrito e sem Regra Para Alterações
- 7. Não Combinar Como vai Acompanhar o Projeto
- 8. Esquecer a Proteção de Dados
- 9. Não Perguntar o que Acontece Depois do Lançamento
- Freelancer ou Empresa de Software
- Perguntas a Fazer Antes de Assinar
- Em Resumo
Mandar fazer uma app ou um software à medida não é como comprar um programa: é escolher alguém com quem vai trabalhar durante meses e de quem, muitas vezes, vai depender durante anos. Os erros mais caros raramente estão no código. Estão na escolha do fornecedor e no que ficou, ou não ficou, combinado.
A resposta curta: ao contratar uma empresa de desenvolvimento de software, os erros que mais custam são escolher só pelo preço, não ver trabalho semelhante, não saber quem vai fazer o trabalho, deixar o código e as contas em nome do fornecedor e esquecer o que acontece depois do lançamento. Antes de assinar, peça respostas por escrito a estas perguntas e desconfie de quem orçamenta sem perguntar nada sobre o seu negócio.
1. Escolher só Pelo Preço
É o erro mais comum e o mais fácil de perceber depois. Dois orçamentos para o mesmo projeto podem ser muito diferentes porque cada fornecedor imaginou um sistema diferente, ou porque um inclui testes, publicação e manutenção e o outro não.
O que fazer: compare o que está dentro de cada proposta, linha a linha, e some o custo de dois ou três anos, não só o valor inicial. O artigo sobre como pedir um orçamento e o que deve vir na proposta tem a lista do que verificar.
2. Não ver Trabalho Semelhante nem Falar com Quem já foi Cliente
Um site bonito e uma boa reunião não dizem se o fornecedor já fez algo parecido com o que precisa. Uma app para clientes, um sistema interno de gestão e um portal com área reservada exigem competências diferentes.
O que fazer:
- peça para ver trabalho semelhante ao seu, a funcionar, e não só imagens;
- pergunte o que correu mal num projeto anterior e como foi resolvido: a resposta diz muito;
- se possível, fale com um cliente do fornecedor e pergunte como foi o suporte depois do lançamento.
3. Não Saber Quem vai Fazer o Trabalho
Muitas vezes quem vende o projeto não é quem o faz. O trabalho pode ser subcontratado, a equipa pode mudar a meio e, no fim, ninguém conhece o sistema por dentro quando aparece um problema.
O que fazer: pergunte quem vai desenvolver, quem vai testar e quem vai dar suporte depois. Pergunte também se alguma parte é subcontratada e a quem.
4. Deixar o Código, o Domínio e as Contas em Nome do Fornecedor
É o erro que se descobre tarde, normalmente no dia em que quer mudar de fornecedor. Se o domínio, o alojamento ou as contas da App Store e do Google Play estiverem em nome de quem fez o projeto, mudar pode ser lento, caro ou impossível sem a colaboração dele.
Quanto ao código, a lei portuguesa ajuda, mas não dispensa o contrato. O Decreto-Lei n.º 252/94, que protege os programas de computador, atribui os direitos sobre um programa feito por encomenda a quem o encomenda, salvo estipulação em contrário ou se outra coisa resultar da finalidade do contrato (artigo 3.º). Ou seja: o que o contrato disser é o que vale.
O que fazer:
- confirme por escrito que o código, o domínio e as contas das lojas ficam em nome da sua empresa;
- garanta que recebe acesso ao código (ao repositório onde está guardado), e não só à app instalada;
- pergunte se o projeto usa componentes de terceiros com licença própria e o que isso implica.
Este resumo não substitui aconselhamento jurídico, sobretudo se o contrato tiver cláusulas de licença ou de exclusividade.
5. Aceitar um Orçamento sem Perguntas
Um fornecedor que envia um preço sem perguntar quem vai usar o sistema, que regras tem o processo ou com que programas tem de falar está a adivinhar. E as adivinhas pagam-se mais tarde, em alterações e atrasos.
O que fazer: valorize quem faz perguntas incómodas, quem sugere tirar funcionalidades da primeira versão e quem explica a solução em linguagem simples. Se não percebe o que lhe estão a propor, o problema raramente é seu.
6. Assinar sem Âmbito Escrito e sem Regra Para Alterações
«Uma app de marcações» pode querer dizer coisas muito diferentes. Sem uma lista escrita do que está incluído e do que não está, cada pedido a meio do projeto vira uma discussão sobre se já estava no preço.
O que fazer: exija um âmbito detalhado e uma regra clara para alterações: como se pedem, como se orçamentam e como mexem no prazo. Se a ideia ainda está a ganhar forma, comece por uma primeira versão pequena; o artigo sobre o que é um MVP ajuda a decidir o que entra.
7. Não Combinar Como vai Acompanhar o Projeto
Projetos em que o cliente só vê o resultado no fim são os que mais surpreendem, pela negativa. Quanto mais tarde se descobre que algo não era o pretendido, mais caro é mudar.
O que fazer: combine fases com entregas que pode experimentar, um protótipo antes de começar a programar, sempre que fizer sentido, e uma forma regular de saber em que ponto está o trabalho. O artigo sobre quanto tempo demora desenvolver software explica as fases e o que costuma atrasar.
8. Esquecer a Proteção de Dados
Se o software vai guardar dados de clientes, de trabalhadores ou de outras pessoas, e o fornecedor vai alojá-los ou ter acesso a eles, a sua empresa tem de ter com ele um contrato que cumpra o artigo 28.º do RGPD. Esse contrato diz, entre outras coisas, que o fornecedor só trata os dados segundo as suas instruções, que garante a segurança e que, no fim, os apaga ou os devolve.
O que fazer: pergunte onde ficam alojados os dados, quem lhes tem acesso e se o fornecedor tem um acordo de tratamento de dados para assinar.
9. Não Perguntar o que Acontece Depois do Lançamento
Uma app ou um software não fica pronto para sempre no dia em que é lançado. Há atualizações de segurança, novas versões do iOS e do Android, alojamento, erros que só aparecem com uso real e pequenos ajustes. Se nada disto estiver combinado, ou fica sem ninguém ou paga ao preço que lhe pedirem no momento.
O que fazer: peça na proposta a garantia (durante quanto tempo os erros são corrigidos sem custo) e as condições de manutenção e suporte. O artigo sobre quanto custa manter uma app explica o que costuma entrar nesta parte.
Freelancer ou Empresa de Software
Não há uma resposta certa para todos os casos. O que muda é quem responde quando alguma coisa corre mal.
| Programador freelancer | Empresa de desenvolvimento | |
|---|---|---|
| Projetos em que costuma servir | Trabalhos pequenos e bem delimitados | Sistemas de que a empresa vai depender durante anos |
| Se a pessoa ficar indisponível | O projeto pode parar | Outra pessoa da equipa conhece o sistema |
| Testes, publicação e manutenção | Depende do que for combinado | Costumam fazer parte do serviço; confirme na proposta |
| O que verificar sempre | Propriedade do código, contas e contrato | Propriedade do código, contas, contrato e quem faz o trabalho |
Se ainda não tem a certeza de que precisa de algo feito à medida, comece pelo guia software à medida ou software pronto.
Perguntas a Fazer Antes de Assinar
| Pergunta | Sinal de alerta na resposta |
|---|---|
| Quem vai desenvolver, testar e dar suporte? | «Logo se vê» ou uma equipa que ninguém conhece |
| Que trabalho semelhante já fez? Posso vê-lo a funcionar? | Só imagens ou nenhum exemplo parecido |
| Em nome de quem ficam o código, o domínio e as contas das lojas? | Em nome do fornecedor, ou sem resposta por escrito |
| Recebo acesso ao código? | Só à app instalada |
| O que está incluído e o que não está? | Uma linha com o preço total, sem lista |
| Como se pedem e pagam alterações a meio? | Sem regra definida |
| Como acompanho o trabalho? | Só vê o resultado no fim |
| Onde ficam os dados e quem lhes tem acesso? | Não sabe, ou não há contrato de tratamento de dados |
| O que acontece depois do lançamento? | Nada combinado sobre garantia, manutenção e suporte |
Em Resumo
- Compare o que está dentro de cada proposta e o custo de vários anos, não só o preço inicial.
- Veja trabalho semelhante a funcionar e saiba quem vai fazer, testar e dar suporte.
- Garanta por escrito que o código, o domínio e as contas ficam em nome da sua empresa e que recebe acesso ao código.
- Exija âmbito escrito, regra para alterações, entregas por fases e um contrato de dados quando houver dados pessoais.
- Combine antes de assinar o que acontece depois do lançamento.
Para saber como trabalhamos e o que fica incluído, veja as páginas de software à medida e de desenvolvimento de apps, e os compromissos que assumimos em todos os projetos.
Perguntas frequentes
Quem fica com o código de um software feito por encomenda?
Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 252/94 atribui os direitos sobre um programa feito por encomenda ao destinatário, ou seja, a quem encomenda, salvo se o contrato disser outra coisa ou se outra coisa resultar da sua finalidade. Por isso o que conta é o contrato: confirme que diz por escrito que o código é seu e que recebe acesso a ele.
É melhor contratar um programador freelancer ou uma empresa?
Depende do projeto. Um freelancer pode chegar para um trabalho pequeno e bem delimitado. Para um sistema de que a empresa vai depender durante anos, pese quem dá suporte se essa pessoa estiver indisponível, quem testa e quem mantém o sistema depois do lançamento.
Que perguntas devo fazer antes de contratar?
Quem vai fazer o trabalho, que trabalho semelhante já fez, como vai acompanhar o projeto, em nome de quem ficam o código, o domínio e as contas, o que acontece se o âmbito mudar e o que está incluído depois do lançamento.
Bernardo Silva
Fundador da Quadrix. Desenvolve websites, software à medida e apps para empresas desde 2020.
Fontes
Continue a ler
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