Como Centralizar a Informação dos Clientes num só Sistema
Contactos no telemóvel de um comercial, propostas no email, notas num caderno e faturas noutro programa. Este artigo ajuda a decidir onde deve passar a viver a informação dos clientes, compara as opções e explica como juntar tudo sem perder dados nem esquecer o RGPD.
Neste artigo
- Sinais de que a Informação dos Clientes Está Espalhada
- O que Deve ter uma Ficha de Cliente Única
- As Opções Para Centralizar: CRM Pronto, o Software que já usa ou um Sistema à Medida
- Perguntas que Ajudam a Escolher
- Como Fazer a Passagem sem Perder Dados
- Centralizar Também Ajuda a Cumprir o RGPD
- Erros Comuns
- Resumo
Quase todas as empresas sabem muito sobre os seus clientes. O problema é que esse conhecimento está espalhado: contactos no telemóvel de um comercial, propostas no email, notas num caderno, encomendas numa folha de Excel e faturas no programa de faturação. Quando alguém precisa de responder a um cliente, tem de juntar as peças à pressa, e às vezes falta uma.
A resposta curta: centralizar a informação dos clientes é escolher um único sítio onde cada cliente tem uma ficha, com os contactos, o histórico e o estado do que está em curso, e fazer com que toda a equipa escreva e leia ali. Se o trabalho com clientes for parecido com o de muitas empresas, um CRM pronto costuma chegar. Se estiver preso a processos próprios (obras, serviços, contratos, equipamentos), um sistema à medida ou um CRM ligado ao que a empresa já usa tende a servir melhor. Em qualquer dos casos, a ferramenta é a parte fácil: o trabalho está em decidir que informação entra, quem a mantém e como se faz a passagem.
Sinais de que a Informação dos Clientes Está Espalhada
- A mesma pergunta tem respostas diferentes consoante a pessoa a quem se faz: "o cliente já aceitou a proposta?", "qual é o contacto atual?".
- Quando alguém sai ou vai de férias, leva os clientes consigo: os contactos e o histórico estavam no telemóvel ou no email dessa pessoa.
- O cliente tem de repetir a história sempre que fala com alguém novo da empresa.
- Há clientes duplicados, com nomes escritos de maneiras diferentes em cada ficheiro.
- Ninguém sabe ao certo que dados pessoais a empresa guarda, nem onde. Um pedido de um cliente para ver ou apagar os seus dados obriga a procurar em vários sítios.
- Os relatórios comerciais fazem-se à mão, a copiar de vários ficheiros.
Se a empresa se revê em três ou quatro destes pontos, o custo de continuar assim já é real, mesmo que não apareça em nenhuma fatura.
O que Deve ter uma Ficha de Cliente Única
Antes de escolher a ferramenta, vale a pena decidir o que se quer ver quando se abre um cliente. Uma ficha útil costuma ter:
- Identificação: nome, NIF, morada, setor, e as pessoas de contacto dentro do cliente, com o papel de cada uma.
- Histórico de contactos: chamadas, reuniões e emails importantes, com data e com quem foi.
- O que está em curso: propostas, encomendas, obras, pedidos de assistência ou contratos, com o estado de cada um.
- Documentos: propostas enviadas, contratos, fichas técnicas, sem andar a procurar no email.
- Responsável: quem na empresa acompanha aquele cliente.
- Ligação à faturação: pelo menos saber o que foi faturado e o que está por pagar, mesmo que as faturas continuem a ser emitidas no programa certificado.
Tão importante como o que entra é o que não entra. Guardar dados "porque podem dar jeito" aumenta o trabalho de manutenção e vai contra o princípio da minimização do RGPD (artigo 5.º): só se devem guardar os dados pessoais necessários para a finalidade.
As Opções Para Centralizar: CRM Pronto, o Software que já usa ou um Sistema à Medida
| CRM pronto (subscrição) | Módulo do software que já usa | Sistema à medida | |
|---|---|---|---|
| Ideal para | Trabalho comercial típico: contactos, oportunidades, propostas | Empresas cujo programa de gestão ou faturação já tem uma área de clientes razoável | Clientes ligados a processos próprios: obras, serviços técnicos, contratos, equipamentos |
| Arranque | Rápido: configurar e importar | Rápido, se o módulo já estiver incluído | Mais lento: desenhar, desenvolver e testar |
| Adapta-se ao processo? | Até onde a configuração deixar | Pouco | Sim, é feito a partir dele |
| Integração com o resto | Depende das integrações disponíveis | Já está integrado no próprio programa | Liga-se aos sistemas que a empresa escolher |
| Custo | Mensalidade por utilizador, que cresce com a equipa | Muitas vezes incluído ou um extra pequeno | Investimento inicial e manutenção |
| Risco principal | As folhas de Excel voltarem a aparecer ao lado, para o que o CRM não faz | Ficar limitado ao que o fornecedor decidir | Projeto mal definido à partida |
Há ainda uma variante que muitas vezes resolve o problema por inteiro: um CRM pronto para a parte comercial, ligado por integração ao sistema onde vive o resto do trabalho. A ficha do cliente fica num lado, mas a informação passa entre os dois sem ser copiada à mão. Explicamos como funcionam estas ligações em que tarefas de uma empresa se podem automatizar.
A decisão de fundo, entre comprar um programa e mandar fazer um, é a mesma de qualquer software. Tratamo-la com mais pormenor no guia software à medida ou software pronto.
Perguntas que Ajudam a Escolher
- O que acontece a um cliente depois de fechar negócio? Se a resposta for "faturamos e pronto", um CRM pronto chega. Se for "começa uma obra, há visitas, relatórios e assistência durante anos", a informação do cliente está agarrada a esse processo, e é aí que um CRM genérico costuma ficar curto.
- Quantas pessoas vão escrever na ficha, e de onde? Equipas no terreno precisam de um acesso simples pelo telemóvel.
- O cliente devia poder ver alguma coisa? O estado de um pedido, os documentos, as próximas visitas. Uma área reservada para o cliente poupa chamadas e emails, mas raramente vem incluída num CRM de entrada.
- Que programas têm de continuar a funcionar? Faturação, contabilidade, loja online. A solução escolhida tem de se ligar a eles, ou vai obrigar a escrever tudo duas vezes.
- Quem vai manter os dados limpos? Nenhuma ferramenta resolve isto sozinha.
Como Fazer a Passagem sem Perder Dados
A troca corre melhor por etapas do que de uma vez.
- Fazer o inventário. Listar todos os sítios onde existe informação de clientes: folhas de cálculo, programa de faturação, emails, telemóveis, cadernos, a loja online. Para cada um, anotar quem escreve, quem consulta e com que frequência.
- Decidir a fonte de verdade de cada dado. Por exemplo: o NIF e a morada de faturação vêm do programa de faturação; os contactos e o histórico passam a viver no novo sistema. Assim não há duas versões a competir.
- Limpar antes de importar. Juntar duplicados, corrigir nomes e contactos, e deixar de fora clientes e dados que já não fazem falta. Importar lixo para um sistema novo é a forma mais rápida de as pessoas deixarem de confiar nele.
- Definir regras simples de entrada. Que campos são obrigatórios, como se escrevem os nomes, quem pode criar clientes novos.
- Começar com uma equipa ou um processo. A comercial, por exemplo. Corrigir o que falha e só depois alargar.
- Desligar os sítios antigos. Enquanto a folha de Excel antiga continuar a ser atualizada "por precaução", a informação continua espalhada. Guarda-se uma cópia de arquivo e deixa-se de a usar.
Muitas destas etapas são as mesmas de trocar as folhas de Excel da empresa por software, que explica a migração com mais pormenor.
Centralizar Também Ajuda a Cumprir o RGPD
A informação dos clientes inclui dados pessoais: nomes, contactos e, por vezes, muito mais. Com tudo num só sítio, várias obrigações do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados ficam mais fáceis de cumprir:
- Responder a pedidos dos titulares. Uma pessoa pode pedir acesso aos seus dados (artigo 15.º), a correção (16.º), o apagamento (17.º) ou uma cópia num formato que possa levar para outro lado (portabilidade, 20.º). Em regra, a empresa tem um mês para responder (artigo 12.º, n.º 3). Com os dados num só sistema, é uma pesquisa; com os dados espalhados, é uma caça ao tesouro.
- Manter os dados exatos e não os guardar mais do que o necessário (artigo 5.º). Um sistema pode avisar quando um cliente está inativo há muito tempo e ajudar a apagar ou anonimizar o que já não tem justificação.
- Controlar quem vê o quê (artigo 32.º, segurança do tratamento). É mais fácil dar acessos por perfil num sistema do que controlar quem tem cópias de uma folha de cálculo.
- Escolher bem o fornecedor. Se os dados ficarem num serviço de terceiros (um CRM na cloud, por exemplo), esse fornecedor trata dados por conta da empresa e tem de haver um contrato que cumpra o artigo 28.º do RGPD. Os fornecedores sérios disponibilizam-no; vale a pena lê-lo antes de assinar.
Este resumo não substitui aconselhamento jurídico, mas mostra porque é que centralizar é também uma questão de organização perante a lei, e não só de conforto.
Erros Comuns
- Escolher a ferramenta antes de decidir o que se quer ver na ficha. Acaba-se a adaptar a empresa ao programa.
- Importar tudo o que existe, incluindo duplicados e contactos de há dez anos.
- Não nomear um responsável pelos dados. Sem dono, a qualidade da informação degrada-se em poucos meses.
- Deixar a faturação de fora. A equipa comercial continua sem saber o que está por pagar e volta a perguntar por email.
- Querer tudo no primeiro dia. Começar pelo essencial e acrescentar depois é mais rápido e mais seguro.
Resumo
- Centralizar é dar a cada cliente uma ficha única onde toda a equipa lê e escreve.
- Decida primeiro o que a ficha deve ter, e o que não deve, antes de escolher a ferramenta.
- Um CRM pronto chega para trabalho comercial típico; um sistema à medida, ou um CRM ligado ao que já usa, serve melhor quando os clientes estão presos a processos próprios.
- Faça a passagem por etapas: inventário, fonte de verdade, limpeza, regras, uma equipa de cada vez, e desligar os sítios antigos.
- Com os dados num só sítio, cumprir o RGPD fica bastante mais simples.
Se a opção à medida lhe parecer a mais provável, vale a pena saber como pedir um orçamento para um software e o que deve vir na proposta. E pode ver como trabalhamos em software à medida, incluindo áreas reservadas onde os seus clientes consultam o estado do trabalho.
Perguntas frequentes
Preciso de um CRM para centralizar a informação dos clientes?
Nem sempre. Se o trabalho com clientes for sobretudo comercial e parecido com o de muitas empresas, um CRM pronto costuma chegar. Se a informação dos clientes estiver presa a obras, serviços, contratos ou equipamentos com regras próprias, um sistema à medida, ou um CRM ligado ao software que já usa, pode servir melhor.
Qual deve ser o primeiro passo para juntar a informação dos clientes?
Fazer o inventário: listar todos os sítios onde hoje existe informação de clientes, quem a escreve e quem a consulta. Só depois se escolhe a ferramenta e se decide que dados passam, quais se limpam e quais se deixam para trás.
Juntar os dados dos clientes num só sistema ajuda a cumprir o RGPD?
Ajuda bastante. Com os dados num só sítio é mais fácil responder a um pedido de acesso ou de apagamento dentro do prazo de um mês, manter os dados exatos e apagar o que já não é necessário. Mas o sistema tem de ter controlo de acessos e segurança adequados, e o fornecedor que guarda os dados tem de ter um contrato que cumpra o artigo 28.º do RGPD.
Bernardo Silva
Fundador da Quadrix. Desenvolve websites, software à medida e apps para empresas desde 2020.
Fontes
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