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Loja Online ou Site com Pedidos de Orçamento: o que faz Sentido Para o Seu Negócio

Nem todos os negócios devem vender com carrinho e pagamento online. Este artigo ajuda a decidir entre uma loja online, um site com catálogo e pedidos de orçamento ou um meio-termo, e explica o que cada opção obriga a ter, na lei e na operação.

Por Bernardo SilvaPublicado a 9 min de leitura

Quem tem um negócio e pensa num site novo acaba muitas vezes na mesma dúvida: vender diretamente no site, com carrinho e pagamento, ou mostrar o que faz e receber pedidos de orçamento? As duas opções parecem parecidas por fora, mas obrigam a coisas muito diferentes por dentro.

A resposta curta: uma loja online faz sentido quando o cliente consegue escolher e pagar sozinho, com preço fixo, stock conhecido e uma entrega simples. Um site com catálogo e pedidos de orçamento serve melhor quando cada venda depende de uma conversa, de uma medição, de quantidades ou de um preço ajustado ao cliente. Há ainda um meio-termo, o catálogo com pedido sem pagamento, que resolve muitos casos de empresas que vendem a outras empresas. Antes de escolher, vale a pena saber que uma loja online a consumidores traz obrigações legais e trabalho diário que um site de pedidos não tem.

Três Opções, não Duas

Site com pedidos de orçamentoCatálogo com pedido (sem pagamento)Loja online
O clienteDescreve o que precisa e espera uma propostaEscolhe produtos e quantidades e envia o pedidoEscolhe, paga e recebe
Preço no siteOpcional ("a partir de") ou nenhumOpcional, ou só para clientes com acessoObrigatório, final e com impostos
Quem fecha a vendaA equipa, por telefone, email ou reuniãoA equipa, depois de confirmar o pedidoO próprio site
Stock e portesNão precisa de estar no siteAjuda, mas pode ser confirmado depoisTêm de estar certos no momento da compra
Pagamentos onlineNãoNão, ou só depois de confirmarSim, com um prestador de pagamentos
Trabalho diárioResponder depressa aos pedidosConfirmar pedidos e preçosEncomendas, envios, devoluções, faturas e apoio ao cliente
Ideal paraServiços, obras, produtos feitos por medidaVenda a empresas, revendedores, grandes quantidadesProdutos de catálogo vendidos ao consumidor final

Esta tabela não diz qual é a melhor. Diz que a pergunta certa não é "loja ou site", mas como é que uma venda acontece hoje no seu negócio, e qual destas três formas a acompanha melhor.

Quando Compensa uma Loja Online

Uma loja online tende a compensar quando a maior parte destas condições se verifica:

  • O produto é igual para todos os clientes, ou tem variantes simples (tamanho, cor, quantidade).
  • O preço é fixo e pode ser mostrado sem negociação.
  • O cliente decide sozinho. Não precisa de ajuda para escolher, ou a ajuda cabe numa boa ficha de produto.
  • A entrega é previsível: correio, transportadora ou levantamento, com portes que se calculam à partida.
  • Há alguém para tratar das encomendas todos os dias, incluindo devoluções e perguntas.
  • Há um plano para trazer visitas. Uma loja nova não vende só por existir: precisa de ser encontrada no Google, nas redes sociais ou junto dos clientes que já tem.

Se o negócio já vende assim por telefone ou ao balcão, a loja online é muitas vezes o passo natural. Se não vende, a loja não muda isso por si.

Quando um Site com Pedidos de Orçamento Serve Melhor

Um site bem feito com pedidos de orçamento costuma ser a melhor escolha quando:

  • Cada trabalho é diferente: obras, instalações, serviços técnicos, produtos feitos por medida.
  • O preço depende de informação que só o cliente tem: medidas, quantidades, local, prazos.
  • A venda tem valor alto ou é pensada com tempo, e o cliente quer falar com alguém antes de decidir.
  • Os clientes são empresas, com condições, descontos ou preços próprios.

Aqui, o trabalho do site é diferente: explicar bem o que a empresa faz, mostrar exemplos de produtos ou de tipos de trabalho e tornar o pedido fácil. Um bom formulário pergunta só o que é preciso para dar um primeiro preço (o que precisa, quantidades ou medidas, local, prazo, contacto) e deixa o resto para a conversa.

O que decide se um site destes funciona não é o desenho do formulário, é a rapidez com que a empresa responde. Um pedido que fica dias sem resposta é uma venda que vai para outro lado.

O Meio-termo: Catálogo com Pedido

Para muitas empresas que vendem a outras empresas, a solução é um catálogo onde o cliente escolhe produtos e quantidades, como numa loja, mas em vez de pagar envia um pedido. A equipa confirma preços, stock e prazos e responde com a proposta ou a fatura. É comum dar aos clientes habituais uma área reservada onde veem os seus preços e repetem encomendas.

Este formato é também uma boa forma de começar: se a procura online crescer, juntar mais tarde o carrinho e os pagamentos aproveita grande parte do catálogo já feito.

O que Muda na lei Quando Vende Online a Consumidores

Um site de pedidos de orçamento fecha a venda fora do site. Uma loja online fecha-a no próprio site, e uma venda a um consumidor feita assim é um contrato à distância, regulado pelo Decreto-Lei n.º 24/2014. Na prática, isto obriga a:

  • Informar antes da compra (artigo 4.º): quem é a empresa, com morada e contactos, as características essenciais do produto, o preço total com impostos, os portes e outros encargos, as formas de pagamento e de entrega, o prazo de entrega e as condições do direito de livre resolução.
  • Ter um botão de encomenda claro (artigo 5.º): o consumidor tem de confirmar que a encomenda implica pagar, e o botão deve dizer "encomenda com obrigação de pagar" ou uma expressão igualmente inequívoca.
  • Aceitar a livre resolução (artigo 10.º): na maioria das compras de bens, o consumidor pode desistir sem indicar motivo no prazo de 14 dias a contar da receção. Se a loja não informar deste direito, o prazo é prolongado por mais 12 meses.
  • Reembolsar a tempo (artigo 12.º): até 14 dias depois de o consumidor comunicar que desiste, incluindo os portes de envio da modalidade normal. A loja pode esperar pela devolução do produto, ou pela prova de envio, antes de reembolsar.
  • Conhecer as exceções (artigo 17.º): por exemplo, produtos feitos segundo as especificações do cliente, bens que se estragam depressa ou produtos selados de higiene depois de abertos.

Há ainda obrigações que valem para os dois tipos de site:

  • Livro de reclamações eletrónico. As empresas abrangidas que tenham site devem disponibilizar nele, em local visível e de forma destacada, o acesso à plataforma do livro de reclamações eletrónico (artigo 5.º-B do Decreto-Lei n.º 156/2005, segundo a informação da AMT para operadores económicos).
  • RGPD. Um formulário de orçamento também recolhe dados pessoais. O site deve dizer para que servem e por quanto tempo se guardam (artigo 13.º), pedir só os dados necessários (artigo 5.º) e, se os dados ficarem num serviço de terceiros, haver contrato com esse fornecedor (artigo 28.º).
  • Faturação. As faturas têm de ser emitidas num programa certificado pela Autoridade Tributária. Numa loja online, o ideal é que a fatura seja emitida automaticamente quando a encomenda é paga, com a loja ligada ao programa de faturação.

Este resumo não substitui aconselhamento jurídico nem do contabilista. Serve para mostrar que uma loja online não é só um site com um botão de comprar: traz responsabilidades que é preciso preparar antes do primeiro dia.

O Trabalho que Fica Depois do Lançamento

A diferença maior entre as duas opções nem sempre está no custo de fazer o site. Está no que acontece todos os dias depois de ele estar no ar.

Numa loja online, alguém tem de:

  • manter produtos, preços, fotografias e stock atualizados;
  • preparar e enviar encomendas, e responder a quem pergunta onde está a sua;
  • tratar das devoluções e dos reembolsos dentro dos prazos;
  • acompanhar os pagamentos e as faturas;
  • manter o site seguro e atualizado, porque passa a guardar dados de clientes e encomendas.

Num site com pedidos de orçamento, o trabalho concentra-se em:

  • responder aos pedidos depressa;
  • manter o catálogo ou os exemplos de trabalho atualizados;
  • registar os pedidos num sítio onde não se percam (um email partilhado chega no início; com muitos pedidos, compensa um sistema).

Parte deste trabalho pode ser automatizada, como avisar o cliente quando a encomenda sai ou passar os pedidos do site para a ficha do cliente. Mostramos o que costuma compensar automatizar em que tarefas de uma empresa se podem automatizar, e como ligar a loja ao programa de faturação ou ao CRM em como pôr os programas da empresa a falar uns com os outros.

Perguntas Para Decidir

  1. Como é que uma venda acontece hoje? Se quase sempre há conversa antes do preço, comece por um site de pedidos.
  2. O cliente consegue escolher sem ajuda? Se sim, e o preço é fixo, a loja online é uma opção séria.
  3. Quem vende: a consumidores ou a empresas? A venda a empresas raramente precisa de carrinho e pagamento no site; um catálogo com pedido costuma chegar.
  4. Quem vai tratar das encomendas, dos envios e das devoluções? Se ninguém tiver tempo para isso, uma loja online vai gerar mais problemas do que vendas.
  5. De onde vêm as visitas? Se não houver plano para trazer pessoas ao site, nenhuma das opções vende sozinha.
  6. Que programas têm de continuar a funcionar? Faturação, stock, CRM. O site tem de se ligar a eles, ou vai obrigar a escrever tudo duas vezes.

Erros Comuns

  • Fazer uma loja online porque "toda a gente tem", para um negócio onde cada venda precisa de uma conversa.
  • Esconder o formulário de pedido no fundo de uma página de contactos, em vez de o pôr junto de cada produto ou serviço.
  • Pedir dados a mais no formulário. Cada campo extra é uma razão para desistir, e dados desnecessários vão contra o RGPD.
  • Abrir a loja sem tratar das condições de venda, das devoluções e do livro de reclamações eletrónico.
  • Deixar a loja desligada da faturação, e passar as noites a copiar encomendas à mão.
  • Esquecer o custo de manter. Um site, sobretudo uma loja, precisa de alojamento, segurança e atualizações. Explicamos estes custos no guia quanto custa um website.

Resumo

  • A escolha não é "loja ou site", é qual destas três formas acompanha a maneira como o seu negócio vende: site com pedidos de orçamento, catálogo com pedido ou loja online.
  • A loja online compensa com produtos de catálogo, preço fixo, entrega simples e alguém para tratar das encomendas todos os dias.
  • O site com pedidos serve melhor quando cada venda depende de uma conversa, de medidas ou de um preço próprio, e vive da rapidez da resposta.
  • Vender online a consumidores traz obrigações próprias: informação antes da compra, botão de encomenda claro, 14 dias de livre resolução e reembolso em 14 dias.
  • Começar por um catálogo com pedido e juntar pagamentos mais tarde é muitas vezes o caminho mais seguro.

Se já sabe o que quer e vai pedir propostas, veja como pedir um orçamento e o que deve vir na proposta. E pode ver como fazemos websites e lojas online, com o alojamento, a segurança e a manutenção tratados por nós.

Perguntas frequentes

Preciso de uma loja online para vender pela internet?

Não necessariamente. Se cada venda precisa de uma conversa, de uma medição ou de um preço ajustado ao cliente, um site com catálogo e pedidos de orçamento costuma vender melhor do que um carrinho. A loja online compensa quando o cliente consegue decidir e pagar sozinho, com preço fixo e entrega simples.

Uma loja online tem obrigações legais diferentes de um site com pedidos de orçamento?

Sim. Numa venda online a consumidores aplica-se o regime dos contratos à distância (Decreto-Lei n.º 24/2014): informação antes da compra, botão de encomenda que diga claramente que implica pagar, direito de livre resolução de 14 dias na maioria dos casos e reembolso em 14 dias. O livro de reclamações eletrónico e o RGPD aplicam-se aos dois casos. Confirme o seu caso com o contabilista ou um jurista.

Posso começar com um site de pedidos e passar a loja online mais tarde?

Pode, e muitas vezes é o caminho mais seguro. Se o site for pensado desde o início com um catálogo organizado, juntar mais tarde o carrinho e os pagamentos aproveita grande parte do trabalho já feito.

Bernardo Silva

Fundador da Quadrix. Desenvolve websites, software à medida e apps para empresas desde 2020.

Fontes

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